
Quando eu trabalhava em outra empresa, um certo dia eu recebi um telefonema de um gerente de vendas dizendo que o sistema “X” estava com problema pois um tal relatório Y não rodava. Na hora eu estava super enrolado e meio que despachei o cara dizendo que ia dar uma olhada, falar com a equipe de suporte e ver o que estava acontecendo. O dia passou e eu esqueci do cara e do problema. Lá pelas 3 da tarde ele me liga de novo. Eu já me preparando para me desculpar pela falta de tempo, ele me corta e diz que estava ligando para agradecer, que o problema tinha sido resolvido e que tudo estava rodando rapidinho, conforme o esperado. Eu agradeci a ligação, falei que estava ali para ajudar e tal… essas coisas…
E isso me lembrou um colega de trabalho (dessa mesma empresa) que dizia que tem um grupo de problemas que, se você não fizer nada, eles se resolvem sozinhos. Mas problemas desse tipo são muito, muito raros de pintar. E a solução desses a gente normalmente atribui à Deus, à Sorte, ao Destino ou seja lá o nome que você usa e no que você acredita.
Tem também aquele grupo de problemas, independente de serem grandes ou pequenos, fáceis ou difíceis, que dependem exclusivamente de você. Provida a necessária dose de disposição e tomada de decisão, você resolve eles sozinhos. Uma coisa que eu aprendi na minha vida profissional é que, dado um problema para se resolver, se você não: 1, entender o problema, 2, bolar uma solução (mesmo que quebrando ele em partes) e 3, montar um plano de ação para criar essa solução, o problema não vai embora sozinho. Ou, como no exemplo aí de cima, se acontecer de ir embora, isso acontece muito raramente. E sendo assim não dá para contar com essa possibilidade.
Mas também não é desse tipo que eu quero falar.
Eu quero falar é daquela “categoria” de problemas que estão lá, (mesmo que indiretamente) atingem você, mas você não tem a autonomia ou a autoridade para resolver. Não adianta você pensar numa solução e planejar nada, pois o foco do problema e da decisão estão em outro (outra pessoa, outra área na empresa, etc.) e você só pode ficar na influência, na sugestão. Você pode dar suas idéias, mas não pode colocá-las em prática.
E normalmente quem está no foco do problema sofre mais do que você. Mas, seja porque motivo for: medo, insegurança, despreparo, analysis paralysis (não sei o termo em português, mas é quando o problema parece tão grande que a gente nãosabe nem por onde começar), etc, o cara não consegue dar o primeiro passo.
Os mais religiosos tendem a colocar suas esperanças exclusivamente em Deus: “Se Deus quiser vai melhorar, vai mudar, vai parar, vai começar, vai …etc”. Psiu, ei, psiu, cá entre nós, não vai. É um conforto pensar assim? É. É uma solução? Não. O Todo-Poderoso-01 não trabalha por você. Ele ajuda, mas não faz a sua parte. Faz a dele, que é colocar as oportunidades certas no seu caminho.
E nessas horas dá uma frustração danada, porque a gente sabe que, enquanto não se fizer alguma coisa diferente, nada vai mudar. E se nada é feito (ou a mesma coisa é feita), nada muda.
E uma coisa que eu ainda estou aprendendo na minha profissão vida é essa habilidade: a de inlfuenciar sem ter que (ou sem poder) mandar. E sabe quem me ensina isso um pouquinho todo dia? Letícia e Vinicius (e futuramente o Gabriel, eu sei).