
LOST 4.11 – Cabin Fever
Maio 12, 2008![]()
Em se tratando de um episódio centrado no Locke, e baseado no histórico do cara (“Walkabout”, “The Brig” e “The Man from Tallahassee” para citar alguns), a gente já devia saber que esse episódio ia ser dos bons. E foi. “Cabin Fever” foi um episódio para os fãs obsessivos, os cultuístas de LOST, aqueles cheios de idéias e teorias. Para nós (sim, eu sou um deles) foi equivalente a uma feijoada completa.
Mas vamos aos acontecimentos… clique no link abaixo se você quiser ler meus comentários sobre “Cabin Fever”, o décimo primeiro episódio dessa quarta temporada e o último antes do season finale (de 3 horas, que vai ser dividido em dois: uma hora em 15 de Maio e 2 horas em 29 de Maio).
Eu vou começar com os acontecimentos da Ilha e o flashback do Locke e no final cobrir o que rolou no barco, já que os acontecimentos não se misturaram.
Semelhanças
O episódio começa contando a estória de como Locke nasceu, mostrando sua mãe, Emily, uma adolescente de 16 anos ser atropelada e tendo que dar à luz a um bebê prematuro. Antes dele ser levado pela enfermeira, Emily grita o nome que ela quer que o filho tenha, John.
Corta para mais ou menos um ano atrás, no episódio “The Man Behind The Curtain”, onde a gente vê um outro bebê nascer, também prematuro, também filho de uma mulher chamada Emily e que, antes de morrer, também grita o nome do filho, Benjamin.
E lá vou eu me repetir outra vez: em LOST não existem coincidências. Locke e Ben não nasceram de forma parecida e não foram criados por sua mãe por mera coincidência. Ben e Locke eram “especiais” (no âmbito da mitologia do show) desde o início de suas vidas. Não foi por acaso que os dois acabaram onde acabaram, sendo o que são na terra do Mr. Jacob.
Atenção especial para o Richard, aquele que não envelhence (ou seria aquele que viaja no tempo?), e sua presença no momento exato do nascimento do Locke.
Richard Alpert, o Charles Xavier dos Others
E o Richard volta a visitar Locke, já com cinco anos de idade, e se apresenta para a sua mãe adotiva como um diretor de uma escola para crianças dotadas, no mesmo estilo que o Charles Xavier fazia para recrutar mutantes para a sua escola em X-Men (minha estória em quadrinhos preferida). Richard apresenta a Locke um teste igualzinho ao que feito aos Dalai Lama e é usado pelos monges para identificarem se a criança em questão é a reencarnação do seu líder espiritual. Na versão de LOST, Richard apresenta seis objetos: uma luva de baseball, um vidrinho com terra e/ou areia, uma bússola, um gibi (que dizia na capa “Quais os segredos da misteriosa Terra Secreta?”, fala sério!), um livro grosso chamado “O Livro das Regras” e uma faca. E ele pede para o Locke identificar qual objeto já era seu.
Vale ressaltar o desenho na parede, onde o pequeno Locke desenhou o monstro de fumaça atacando uma pessoa.
Estaria esperando o Richard que o Locke fosse o “escolhido”, ou melhor, a sua reencarnação? Mas o Locke escolhe o objeto errado, a faca, e o Richard vai embora frustrado, muito frustrado, dizendo que ele estava enganado, que o menino não era especial como ele esperava. Qual era o objeto certo? Não sei. Mas se eu fosse chutar chutaria o livro - “O Livro das Regras” foi escrito por um cara chamado Aleister Crowley em 1904 e defendia filosofia de Thelema, cuja regra principal era “Faça ou que quiser”, o que, mudando um pouco as palavras pode ser dito asism “Não me diga o que eu não posso fazer”, a frase preferida do Locke desde pequeno, conforme a gente vê nesse episódio.
Mas mesmo não sendo o escolhido, Locke seria com certeza um bom soldado e então ele é “recrutado” mais uma vez, por volta dos 15 ou 16 anos, dessa vez para “a colônia de ferias de química” da Mittelos Laboratories, que estava em busca de mentes jovens e brilhantes. Mittelos? Sim Mittelos, a mesma Mittelos Bioscience que contratou a competente especialista em Fertilidade, a Dra. Juliet Burke (em “Not In Portland”). Mas ainda não é dessa vez. O Locke adolescente não quer ser cientista, quer ser atleta, ser popular com a mulherada, quer ser um adolescente normal. O que é uma pena, pois isso provavelmente o teria poupado de todo o sofrimento que ele teve na vida dali para frente. Mas, talvez fosse esse o seu Destino que, conforme disse o Ben nesse episódio, é um bom de um filho da puta.
“I used to have dreams…”
Na Ilha, Locke tem um sonho com Horace Godspeed (um dos chefes das Dharma Initiative e o cara que contratou o pai do Ben). No sonho o Horace dá a dica que faltava para o Locke encontrar a cabana do Jacob.
Que a Ilha usa o inconsciente das pessoas a gente já sabia. Mas você só sonha com o que (ou com quem) você conhece. E o Locke não conhecia o Horace, o que nos leva a concluir que ela usa todo o inconsciênte coletivo das pessoas como matéria-prima para mandar suas “mensagens”. Interessante nessa cena é o nariz do Horace, sangrando, no que seria uma referência às viagens no tempo (lembrando que o nariz do Desmond também sangrou)? Ou seria uma referência ao assassinato em massa da Dharma? Mais interessante ainda é a última frase dele antes da mensagem “se repetir”: Ele (Jacob) está esperando por você tem um tempão. E mais, mais interessante ainda são as duas coisas que a gente aprende nessa conversa:
1. A chacina da Dharma aconteceu tem 12 anos, ou seja, 1992.
2. Quem construiu a cabana foi o Horace, ou seja, ela não existia antes da Dharma/Widmore (mais sobre isso aí embaixo) aparecer.
Mais para frente, na cova coletiva da Dharma, a gente ouve outra coisa ainda mais (acho eu) interessante: Ben admite que foram os Others que dizimaram a Dharma, mas não sob suas ordens. E quando perguntado de novo se não era ele, Ben, o chefe dos Others, ele responde: “Nem sempre”. Essa é uma peça importante do quebra-cabeças LOST. A gente ainda não sabe onde ela encaixa: quem seria então o chefe? O Richard? Eu acho que não. Mas vai por mim, guarda essa pecinha que ela ainda vai juntar pedaços grandes da estória.
A Cabana do Pai Tomás do Jack
Chegando na cabana, Hurley e Ben ficam para trás e só o Locke resolve entrar. E aí rola um lance que não me convenceu. O Ben faz uma auto-crítica e diz não se considerar mais “especial”, o escolhido para falar com o Jacob. De bom grado, resignado até, ele passa a peteca para o Locke. E isso não combina com o Ben que a gente conhece. E como a gente já viu no futuro, ele ainda vai estar por cima da carne seca. Sendo assim, eu só posso concluir que o Ben mais uma vez estava manipulando o Locke para fazer por ele uma coisa que ele não podia fazer sozinho. “Eu não sou você”, diz o Locke para ele. “Com certeza não é”, diz ele de volta.
Entrando lá Locke encontra Christian, o pai do Jack e da Claire, que diz que pode representar o Jacob. Se a gente reparar, o Christian está completamente diferente de quando ele aprece para o Jack. Jack vê uma imagem do pai mais parecida com a que ele tinha quando vivo (a de terno preto). Locke vê um Chrsitian mais envelhecido (morto?).
E movendo a lantern um pouquinho para o lado ele vê a Claire dentro da cabana. Ela mesma. Eu não sei vocês, mas ela me pareceu meio estranha, numa calma meio mórbida. Maligna até (não sei se era a luza da tocha…). Os sites de fãs tem comentado que ela já está morta (morreu no acidente quando explodiram a sua casa), mas eu acho que não. O que aconteceu com a Claire para ela estar onde e como ela está a gente ainda não sabe, mas eu acho que morta ela não está. E o Aaron, segundo ela, está onde ele deveria estar: com o Sawyer?! Ou seria a caminho de ficar com a Kate e sair da Ilha? E aí entra uma teoria minha sobre isso: ao contrário do que disse o vidente, o Aaron não era para ser criado pela Claire. No mesmo formato que outros dois personagens “especiais” da Ilha (quem?!), o Aaron é para ser criado por uma terceira pessoa, ou um casal até, mas não pela sua mãe biológica. Em contra-partida, a mensagem do Charlie para o Jack (através do Hurley) semana passada foi que ele não deveria estar criando o menino… não sei…
Anyway, o que o Christian diz para o Locke é que para salvar a Ilha eles tem que mover ela. Como mesmo para um seriado de ficção científica mover fisicamente uma ilha é um pouco demais, eu acredito que o “mover” significa mover no espaço-tempo, ou seja, mover a Ilha para o passado ou para o futuro. E se o Locke não sabe como (se o Christian não explicou a ele), com certeza tem um cara na Ilha que sabe… olha o Ben de novo aí gente!
Abaddon (também conhecido como o Sebastian da C&A)
E não é que o Abaddon apareceu de novo, dessa vez para tirar o Locke do fundo do poço e colocar na cabeça dele a idéia de ir numa aventura ecológica (walkabout)? Uma jornada de auto-conhecimento, segundo ele. Onde ele descobriria quem ele realmente era e o do que ele era feito. E essa foi a última tentativa da Ilha de trazer o Locke. E a que acabou funcionando. Engraçado né?
E se o Locke estava no vôo 815 por causa da mexida de pauzinhos da Ilha, seria correto assumir que o mesmo aconteceu com todos os outros? Com a Claire, por exemplo? Teria sido usado a Ilha o vidente como instrumento? Teria usado a Ilha o pai do Jack para faze-lo ir até a Austrália?
Muito, muito interessante…
Widmore e a Dharma Foundation
E para quem tinha dúvida esse episódio serviu para confirmar que o Charles Widmore estava de fato por trás da Iniciativa Dharma. Quando o Keamy abre o arquivo e mostra o “Protocolo 2” a gente vê nitidamante o logo deles.
Mas uma coisa que ainda não se encaixou nessa estória toda foi a seguinte: se o Charles Widmore queria matar todo mundo na Ilha, por que ele recrutou 4 caras que não tinham nada a ver com o exército mercenário do Keamy? Pelo que parece atá agora, o Daniel, a Charlotte, O Miles e o Frank estavam por fora da operação de guerra. Ao mesmo tempo, foi o próprio Abaddon que recrutou esses 4 e a Naomi. Como a gente sabe que o Abaddon, ao que parece, defende os interesses da Ilha, como ele conseguiria infiltrar 5 caras no navio do Widmore? A coisa aí não bate…
A melhor frase do episódio não foi uma frase
Foi uma cena sem uma palavra, mas que disse um montão: o Hurley dividino a barra de chocolate com o Ben. Priceless…
Bom, foi isso. Quinta-feira tem mais…