No outro dia eu li um artigo no HBS (o artigo é de 2005, mas eu só li no outro dia) que defendia a tese de que a maioria das pessoas que trabalham com você ligam mais para se você é legal com elas do que ligam se você é super-bom naquilo que faz.
Ou seja, não importa o quão competente você é, aos olhos dos seus colegas a sua competência é diretamente proporcional ao que eles pensam de você. Em outras palavras, via de regra, nossos amigos são competentes. E os nossos desafetos, obviamente desqualificados.
Óbvio que ninguém gosta de um metido sabe-tudo. Bem como ninguém é declaradamente apreciador da politicagem do ambiente corporativo. Mas eu acho que o artigo vai mais longe do que essas óbviedades. No fundo, no fundo, o que os dois escritores do estudo falam é que é uma aposta melhor na carreira estar com a maioria do que estar com a razão, se estar com a razão significa estar em desarmonia com o status quo.
Aí eu me lembro de uma frase que eu li no livro “Abusado”, que conta a estória do traficante Marcinho VP, frase essa que ele repetia volta e meia: “O certo é o certo e o errado é o errado. Não importa o lado em que você está”. E ele ia mais adiante e afirmava que o Comando Vermelho, a organização criminosa da qual ele fazia parte, “era o lado certo da vida errada”.
Quem tem algum tempo de estrada de vida profissional sabe o quanto é importate jogar o jogo da política corporativa. É questão de sobrevivência. Mas o que é difícil para mim entender é alguém só valorizar isso, relegando à segundo plano o trabalho em si. Na minha cartilha, ser legal e ser competente são igualmente importantes.
Afinal de contas, como diria o Marcinho VP, “o certo é o certo”. E se isso trouxer algum “atrito saudável” entre colegas de trabalho, faz parte. Como dizia um amigo meu da Souza Cruz: “está desconfortável? Sem problemas, você está no escritório, não está no cinema, um pouquinho de desconforto não faz mal a ninguém”.








