Arquivo da categoria ‘In my opinion…’

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5 coisas sobre Riscos

setembro 29, 2010

Um dos blogs que eu gosto de ler sempre que dá e o da Penelope Trunk. Ela escreve sobre carreira e sobre o mundo corporativo em geral, mas de uma forma agradável, fazendo analogias simples e inteligentes.

Hoje ela escreveu no blog dela sobre riscos inteligentes e que, se você curte o processo, o resultado, independente do risco de dar errado, é menos relevante. Eu não sei se eu concord muito com essa afirmação, acho que risco tem mais a ver com o quanto você confia que aquela coisa vai acontecer, ou que nunca vai acontecer.

E “confiar” às vezes quer dizer confiar nas estimativas e nas estatísticas, confiar no seu taco (na sua competência para evitar o risco) e até mesmo na sorte (todo mundo precisa de um pouquinho dela que seja). O processo pode ser doloroso, mas se o resultado final te agrada, valeu o risco. O processo pode ter sido ótimo, mas se aconteceu o que você não queria, na minha opinião você não estava arriscando, pois estava fazendo aquilo pelo processo e não pelo resultado.

Independente disso, ela cita cinco pontos que eu achei interessantíssimos a serem considerados quando avaliando o risco de uma situação:

1. No longo prazo a gente se arrepende mais do que não fez, do que aquilo que fez. De fato, 30 anos depois, as suas notas de matemática tem muito menos importância do que os amigos que você fez e as experiências que você viveu.

2. A conta é menor do que se pensa. No final das contas, a merda que acontece é normalmente menor do que a gente esperava. O que nos leva ao terceiro ponto:

3. Você se recupera mais rápido do que pensa. O paranóico dentro de nós é às vezes tão barulhento que não permite que a gente preste atenção a um outro lado nosso que está prontinho para resistir à muito mais coisas do que a gente imagina, tirando forças da onde menos se espera. É aquela resiliência, aquela segurança que todo mundo que já se fudeu de verde e amarelo e sobreviveu tem, mas a gente acha que nem todos tem. Todos tem. Ou pelo menos a maioria.

4. Não faça os riscos maiores do que são. Na verdade, traduzindo, tome decisões responsáveis. Arriscar é uma coisa, ser burro é outra.

5. Normalmente as coisas dão certo. E quando não dão, você pelo menos aprendeu. É aquele velho ditado: “boas decisões são baseadas em experiência; experiência só se adquire tomando más decisões“. :-)

Eu me acho um cara com uma tolerância à risco bem razoável. Mas conheço muita gente que não arrisca quase nada e está aí, na boa. Vai de cada um.

No final das contas, o que vale é o que te faz mais feliz. Ou não é?

“Security is mostly a superstition. It does not exist in nature, nor do the children of Men as whole experience it. Avoiding danger is no safe in the long run than outright exposure. Life is either a daring adventure or is nothing.”
– Helen Keller

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Sobre os comentários do Stallone

julho 27, 2010

Muita porrada na cabeça dá nisso…

Com a visita dos meus pais a gente tem mais acesso às notícias que acontecem no Brasil, já que eles acompanham de perto o noticiário brasileiro pela internet. Sendo asism, essa semana ficamos sabendo da gafe cometida pelo Stallone, comentando sobre o Brasil e o seu último filme, filmado lá, durante a Comic Con.

Na entrevista, ele faz piada sobre a complacência exacerbada do brasileiro com o turista, “Gravar no Brasil foi bom, pois pudemos matar pessoas, explodir tudo e eles (os brasileiros) dizem obrigado“, faz referência à “macaco”, reforçando o esteriótipo de “selva e índios” que muitos estrangeiros mal informados tem do Brasil e por último comenta sobre o estado de extrema violência da cidade do Rio de Janeiro, mencionando o símbolo do BOPE, “os policiais de lá usam camisetas com uma caveira, duas armas e uma adaga cravada no centro; já imaginou se os policiais de Los Angeles usassem isso? Já mostra o quão problemático é aquele lugar“.

Como toda estória, essa também tem dois lados. Por um lado, Stallone falou sim um monte de merda, desrespeitando um lugar e um povo que o recebeu muito bem. E isso por si só mostra o imbecíl que ele é.

Por outro lado, alguns comentários deles tinham um certo fundo de verdade. 

O Rio é violento mesmo. Muito. E a gente trata os Americanos e os Europeus com mais “admiração” do que tratamos nossos vizinhos hermanos. Mas para nós, brasileiros, isso é irrelevante. A gente pode falar mal do Brasil. Mas ninguém mais pode. A gente pode malhar a violência no Brasil e no Rio de Janeiro. O Stallone não.

Somos iguais àquelas mães que desabafam que o filho é mal-criado, mas não admitem ouvir isso de mais ninguém sem partir para a briga. Eu já fui criticado várias vezes por amigos e pessoas próximas porque reclamo do Brasil mesmo não morando mais no país, como se o fato de não mais viver lá me impedisse de ter opiniões sobre o lugar, me fizessem menos Brasileiro (eu agora sou Americano, mas continuo Brasileiro, igualzinho).

Na minha opnião, teria sido melhor se a mídia tivesse ignorado o Stallone e sua imbecilidade. Afinal de contas, que diferença faz para o Brasil e os Brasileiros o que um cara como o Stallone pensa do Brasil? O país caminha para ser a quinta maior economia do mundo, ao que parece os pobres hoje são um pouco menos pobres e, ao que tudo indica, a população gosta do que o governo atual faz e quer continuidade. Então por que se importar com a opinião do Rambo?

Se a mídia quisesse mesmo evitar propaganda negativa sobre o Brasil, a melhor saída teria sido ignorar o babacão e se colocar acima das críticas recebidas.

 

 

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Liderança

junho 1, 2010

Há os que acreditam que liderança se aprende. Eu tenho minhas dúvidas, pelo menos no sentido formal de “apreder”, ou seja, pela teoria. De qualquer forma, uma boa apresentação sobre o tema:

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Santa Estupidez

janeiro 19, 2010

O pior do fanatismo religioso é que qualquer um pode falar a merda que quiser, o absurdo que for, que está protegido pela prerrogativa de todo mundo tem liberdade de credo e cada um acredita no que quer, se quiser.

E é por causa de “homens religiosos” como o Pastor Pat Robertson que muita gente, mesmo que aceitando a idéia de um Ser Divino, vira-se de costas para toda e qualquer religião criada pelo homem, ou seja, todas elas. Seja ela qual for.

O energúmeno pastor, do alto de seu grande conhecimento sobre História, sugere que a tragédia acontecida semana passada no Haiti é fruto de um pacto desse país com o capeta para livrá-los da dominação francesa. Porra, fala sério! Você pode ver o video (em inglês) aqui:

Mas nem só de zebras como Pat Robertson é feito o mundo, graças à Deus (não necessariamente o Deus do Pat Robertson, é verdade). E uma mulher de Minneapolis, aqui nos EUA, escreveu uma carta muito bem humorada e inteligente para o tal pastor, no jornal local de sua cidade, o The Minneapolis Star-Tribune, se fazendo passar pelo próprio capeta. A carta original pode ser lida aqui, mas para quem não entende, segue a tradução:

“Querido Pat Robertson,
Eu sei que você sabe que qualquer publicidade é boa publicidade, então deixe-me dizer, antes de qualquer outra coisa, que eu apreciei a propaganda. E você normalmente faz Deus parecer um cara cruel, que chuta as pessoas quando elas já estão no chão, então achei bem legal.

Mas quando você diz que o Haiti fez um pacto comigo, aí a coisa muda de figura : fica totalmente humilhante pra mim. Eu posso ser a encarnação do Mal e tal, mas não sou nenhum moleque. Do jeito que você colocou a coisa, ficou parecendo que um pacto comigo deixa as pessoas desesperadas e empobrecidas. Tá bom, claro que deixa, mas só no pós-vida. É bom lembrar que quando eu faço um trato com as pessoas, primeiro elas ganham alguma coisa aqui na Terra : glamour, beleza, talento, dinheiro, fama, glória e quem sabe um violino de ouro.

Os haitianos não têm nada, e eu quero dizer nada mesmo. E já não tinham desde antes do terremoto. Você nunca assistiu a “Crossroads” ? Ou “Malditos Yankees” ? Se eu tivesse algum negócio rolando com o Haiti, pode acreditar que eles teriam montes de bancos, arranha-céus, SUVs, boates exclusivas, botox – esse tipo de coisa. Um índice de pobreza de 80% não é meu estilo, não mesmo. Nada contra, só estou dizendo : não é assim que eu trabalho.

Você vem fazendo um excelente trabalho, Pat, e eu não quero cortar suas asinhas, mas peraí, assim você me deixa mal na foto. E não quero dizer “mal” do jeito malandro. Continue culpando Deus que está ótimo. Isso funciona. Mas me deixe fora disso, por favor. Do contrário, posso ser obrigado a rever seu contrato comigo.

Boa sorte

Satã
(Lily Cole, Minneapolis)”

O que me fez lembrar uma cena de um ótimo filme, essa aí embaixo, onde o Al Pacino fala do Deus do Pat Robertson:

 

Em tempo: eu sou um dos que acredita num Todo-Poderoso-01, apesar de não ser adepto de religião nenhuma. Não o mesmo do Pat Robertson, mas um outro, mais legal, justo e menos maldoso. Mas imagina o montão de gente que não acredita e ia começar a acreditar se um raio “acidentalmente” acertasse o tal pastor no meio da fuça, assim meio que sem querer… :-)

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Os Melhores de 2009

dezembro 30, 2009

Como 2009 está chegando ao fim, resolvi colocar aqui a minha versão dos melhores de 2009, algumas categorias que são relevantes para mim. Aqui vai:

Melhor Livro(s) que eu li em 2009: Southern Vampire Mysteries, livro 1 ao 9, da Charlaine Harris.
Em 2009 eu li os 9 livros que contam as aventuras da telepata Sookie Stackhouse e seus amigos sobrenaturais (sim, os vampiros são só um tipo deles). Muito legal. Tão bom quanto a série de TV baseada neles, True Blood, da HBO.

Melhores filmes que eu vi em 2009: Adventureland, Inglorious Basterds, 500 Days of Summer e The Hangover
Tem muito filme que eu queria ter visto em 2009 e ainda não vi. Como vocês sabem, a gente vai mais o cinema ver filme da garotada, sendo assim, essa categoria fica um pouco prejudicada. Mas dos que eu vi, os melhores foram Adventureland, Inglorious Basterds, 500 Days of Summer e The Hangover. Genêros diferentes, mas excelentes filmes, todos os 4, então não deu para escolher um. Dos que eu não vi, mas gostaria de ter visto: The Informant, Whip It, The Blind Side, Zombieland e Up In The Air.

Melhores Seriados de TV em 2009: LOST e True Blood.
Não preciso nem explicar, não é? A quinta temporada do melhor seriado de todos foi ótima! A segunda temporada de True Blood foi ainda melhor do que a primeira, e mais emocionante que o segundo livro da série. The Office também foi legal, mas a quarta temporada foi melhor que a quinta. E a melhor surpresa de 2009 foi Modern Family, sem dúvida nenhuma.

Melhor eletrônico de 2009: o meu Amazon Kindle2, sem dúvida nenhuma.
Quem tem um sabe do que eu estou falando. Eu não vivo mais sem o meu.

Melhores sites:
De tecnologia: All Things Digital, para quem é da area de tecnologia, é leitura obrigatória.
De Trabalho: Herding Cats, idéias e discussões sobre Gerenciamento de Projetos. Muito bom.
De Esportes: o blog do Mariners, no Seattle Times. Informações fresquinhas sobre o meu time preferido.
Blog: Aventuras de Uma Gringa, o site da Rachel, uma americana que vivia no Brasil e retornou para os EUA esse ano. Muito boa leitura.
De Informação: MSNBC, notícias fresquinhas.
De entretenimento: Hulu.com, se você perde um seriado na TV e não gravou no DVR, é lá que você tem que ir.

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O Caso Sean Goldman

dezembro 30, 2009

Eu não tinha mencionado o caso do menino Sean Goldman ainda aqui no blog, apesar de ter acompanhado por um bom tempo a briga do pai com a família da mãe pela guarda do menino.

E como eu tenho que dar a minha opinião em tudo, ou pelo menos em tudo o que eu tenho uma opinião aqui vai a minha: a justice finalmente foi feita. Independente de qualquer coisa, se um pai ou uma mãe tem condições físicas e emocionais de criar uma criança, é com esse pai ou essa mãe que essa criança tem que ficar. Não importa o quanto os avós maternos tenham sido importantes para a criação do menino até então. O pai é o David, e é com ele que o Sean deve ficar.

David Goldman deu uma entrevista coletiva ontem, onde ele falou um montão de coisas, incluindo como o menino está se readaptando à vida ao seu lado. Apesar de Sean ainda não chamar ele de pai, ele fala como lágrimas nos olhos como o menino reconhece a casa como o seu lar. A entrevista inteira pode ser vista aqui (em inglês): clique aqui.

Segue uma palinha disponível no YouTube:

 

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Muitas vidas

dezembro 2, 2009

Ontem a gente recebeu uma notícia chata. Uma coleguinha das crianças, estudante da segunda séria na mesma escola delas, perdeu uma briga de mais de um ano contra a leucemia. A gente acompanhou a batalha da família por alguns meses, não só através escola, mas também porque eles eram parte da mesma liga de futebol infantil que a gente é e do clube que somos sócios.

É muito triste quando essas coisas acontecem, pois, à princípio, não era assim que tinha que acontecer. E invariavelmente faz a gente pensar no sentido da vida e da morte, no que vem antes e depois da nossa passagem aqui. Eu não sou uma pessoa religiosa (quem acompanha o blog sabe), mas vendo uma coisa dessas, se tem uma coisa que faz todo sentido para mim é a idéia de reencarnar, de se viver muitas vezes.

Partindo-se de dois princípios – o primeiro é que as coisas não acontecem por acaso, e o segundo é que Deus é um cara bom – a melhor explicação para coisas como essa que aconteceu está no fato de que essa criança veio aqui só por um pouquinho porque tinha que terminar uma missão inacabada, ou terminar de aprender alguma coisa, antes de ir para o próximo “nível” da sua existência, ou seja, seu espírito evoluir para o andar de cima. Sua vida é muito mais do que os 8 anos que ela passou aqui. Porque se não for isso,eu acho que é muita putaria uma criança de 8 anos morrer de leucemia.

E como eu tenho certeza que Deus existe e ele é um cara muito gente boa, eu não tenho como não acreditar em muitas vidas e acreditar que agora tem mais um espírito evoluído no universo.

Vai com Deus Maddy.

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Alegria premiada

outubro 26, 2009

Li num blog que eu visito frequentemente que o Rio de Janeiro recentemente foi “premiado” pela Forbes com o título de “Melhor cidade do mundo”, como se fosse possível de se medir estatísticamente o nível de felicidade de um povo. No mesmo blog tem um link para um texto do Lobão, o músico carioca, publicado no Estadão e falando sobre a tal notícia.

 E eu resolvi colocar aqui o que o Lobão escreveu, pois o que ele fala no seu texto, casa certinho com o que eu penso sobre esse papo de “a gente sofre (com a violênica) mas é feliz”.

Segue o texto:

O risco de vestir a faixa de a mais feliz do mundo
A alegria premiada pode aplacar a indignação?
- Lobão, Músico nascido e criado em Ipanema, morador do Sumarezinho, em São Paulo, desde 2008

Quando filosofamos sobre uma violência que assola o Rio de Janeiro há mais de 30 anos e percebemos sua progressão sistemática durante todo esse período, somos obrigados, em primeiro lugar, a fazer um exame de consciência e procurar com toda a honestidade a razão da nossa incapacidade crônica de aprender com os próprios erros. O que faz uma cidade não conseguir se enxergar? Para analisar os acontecimentos da semana que passou eu não gostaria de nivelar a conversa sob a égide da indulgência, do narcisismo, do bairrismo, da festividade retrógrada nem do cinismo. Uma das causas da minha retirada do Rio deveu-se justamente ao fato de estar cansado e constrangido de continuar vivendo num lugar cuja paralisia provocada pela autocomplacência vinha da sensação de que o carioca é um ser à parte. Além de me irritar profundamente, isso me transformava num cúmplice passivo de toda aquela coisa, milimetricamente arquitetada para aniquilar qualquer tipo de mudança. Afinal eu não via um sinal sequer em direção a uma transformação relevante de atitude capaz de apontar para uma radical virada de mentalidade, para uma revisão completa nessa autoimagem caricata de gente fina, delicada e cheia de bossa de que tão ingenuamente nos ufanamos a flanar pela zona sul.

Pois bem, uma jornalista de um jornal carioca, no início de setembro, me mandou um e-mail pedindo que eu falasse sobre o fato de o Rio ter sido eleito pela revista Forbes a cidade mais feliz do mundo. “Soube que você saiu há pouco tempo daqui porque não estava satisfeito… Um abraço”, comentou a jornalista, após o simpático pedido. Misteriosamente, a matéria implodiu e acabou não saindo nada; portanto, como desconfio que o ponto gravitacional esteja bem próximo do assunto abordado neste texto, aqui está a resposta:

“Que bacana!!! Então, já que deu na Forbes, muda tudo! Eu posso até voltar correndo, varado de luz, redimido… com o carimbo da Forbes de… FELIZ !!! O mais feliz do mundo!!! EEEEE! Devemos decretar uma semana de feriado, convocar uma micareta e fechar a Vieira Souto pra comemorar esse feito! Mas, falando sério, esse tipo de felicidade me assusta um pouco. Uma felicidade meio perversa, meio postiça, meio indulgente. Tem uma bossa nova que eu fiz dizendo mais ou menos assim sobre nossa índole, sobre nossa paisagem: “Tudo aqui descontroladamente lindo como um gol acidental… Tão suicida essa forma invertida de felicidade… E a gente continua comemorando coisa alguma sempre a sorrir”.

“Talvez essa tal felicidade esteja nos condenando à eterna permanência da precariedade, pois aplaca nossa indignação, estupra nosso luto, mina a vontade de sermos melhores, impossibilita qualquer tentativa de engendrar profundas e necessárias transformações da imagem que temos de nós mesmos e, infelizmente, acaba por facilitar a tal da autofolclorização, caindo na gratuidade insólita, boba e até cruel da carnavalização.

“Agora tentem visualizar alguns eventos típicos e patológicos que costumam permear a maneira de ser de um determinado tipo de carioca:

1) Aplaudir o pôr do sol no Posto 9 como um Michelângelo das areias, extasiado com a beleza de sua paisagem particular, como uma extensão de si próprio, travestindo um êxito exclusivo da natureza em mérito pessoal.

2) Frequentar passeatas contra novas regras mais restritivas para o carnaval de rua, mesmo com a cidade fedendo cada vez mais nos dias de folia.

3) Sair pra brincar nos blocos da vida depois de mais uma chacina.

4) Possuir um fascínio mórbido pelo fenômeno da reinvenção regressiva, muito em voga nos dias de hoje, a investir sofregamente na promoção de festivais como o de marchinhas de carnaval, de uma obsolescência comovente, em meio a refrões natimortos, rimas anacrônicas, piadas oligofrênicas e arranjos idiotas.

5) Regurgitar com muita dignidade, chiquê e retrocesso uma bossa nova anêmica, que de nova não tem mais nada, só pose.

6) Viver na fixação obsessiva e pouco potente do universitário de esquerda, incapaz de expressar aquilo que realmente é, um invejoso da singeleza da pobreza, um aspirante a vanguardista de um passado que jamais vivenciou, um tipo corriqueiro da classe média/bamba/fake/sambista de araque, a emular grotescamente o bamba real da tradição, a jactar-se como o legítimo defensor e representante da raiz, da raça e da cultura, mesmo sem a gente ser planta, não ter raça nem delimitação pra expressar o que bem entender, ou quem sabe pra relaxar depois de uma praia, sentar com a rapaziada num fim de tarde pra levar um lero num boteco da Lapa, em cima de uma poça de sangue, cujo cadáver acabou de ser removido? Style!

“Se vocês acham isso uma vantagem, só me resta torcer para que usufruam ao máximo desse momento de singular alegria. Torço também para que no próximo concurso o Rio se torne um campeão de gentileza, um lanterninha da violência, um exemplo de elegância, de qualidade de vida, que sejamos reconhecidos pela honestidade sem esperteza, por sermos um povo que tenha uma autocrítica mais severa, um povo de fibra que, sem perder suas belas características, seja também cosmopolita, apto a se transformar, aberto para a cultura do mundo, um povo que em sua retumbante alegria seja menos narciso e, de preferência, mais sério.

“É isso aí. Me perdoem pela sinceridade e um abraço de um carioca que, mesmo distante, mesmo discordante, mesmo revoltadíssimo, continua, apesar de não tão feliz assim, torcendo apaixonadamente por melhores rumos de sua cidade e de seu povo”.

Conheço a alma da minha cidade, amo a minha cidade e muito me entristece o estado das coisas. Nós cariocas precisamos urgentemente nos reinventar. E, com mais humildade e inteligência, construir um destino ensolarado e realmente feliz que o Rio e o carioca tanto merecem.

Link para o texto no site do Estadão: clique aqui.

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Estado vs. Igreja

outubro 23, 2009

Recebi essa matéria do meu pai, por email, e achei que valia à pena passar adiante. Ela fala sobre o ensino religioso nas escolas e, segundo o autor, o ensino da religião deve ser deixado aos pais e às igrejas. O que eu concordo plenamente. As partes em negritos são as que eu achei mais interessantes.

O crente e o cidadão
Mauro Santayana – JORNAL DO BRASIL, DE 23/10/09

Qualquer que seja a ideia que façamos de Deus, ou dos deuses, ela se subordina à inteligência e aos sentimentos de cada ser humano. A teologia, tanto nas confissões cristãs, como nas demais manifestações de fé, é uma construção histórica, sob a influência dos poderes terrenos. Foram esses poderes terrenos que levaram os sacerdotes judeus a opor-se à Cristo. O panteísmo patrocinava a liberdade investigadora dos gregos, mas Sócrates foi condenado à cicuta sob a acusação de desobedecer aos deuses e, assim, às leis da cidade. O cristianismo, ao legitimar o poder de Constantino, impôs alguns dogmas que retardaram o desenvolvimento da ciência e mantiveram, durante toda a Idade Média, os pobres submetidos à opressão dos nobres. Em todo esse período, a nobreza, associada à Igreja, alternava a repressão mais violenta com atos de presumida piedade, a fim de manter a estagnação social.

O historiador polonês Bronislaw Geremek, de origem judia convertido ao catolicismo, e com forte presença política em seu país, publicou fascinante estudo sobre o tema, com o título de “A piedade e a força”. Quando os pobres se rebelavam, a forca funcionava – quando não se acendiam as fogueiras. Sempre foi assim, mesmo antes que a Igreja Católica se tornasse o centro ocidental do poder. Como se sabe, bem antes que Cristo subisse as trilhas do Calvário, Crassius levantou 6 mil cruzes ao longo da Via Appia e nelas pendurou os prisioneiros remanescentes da rebelião de Spartacus.

Os protestantes não foram diferentes dos católicos na intransigência religiosa, como dos cristãos não se diferenciaram muito os muçulmanos, em alguns momentos de sua história. O confronto entre xiitas e sunitas – pelas mesmas vielas de Bagdá onde hoje continuam matando-se – mostra que cada um faz de Deus o escudo que lhe convém.

Uma das grandes conquistas das repúblicas modernas é a separação entre as religiões e o Estado. O Estado é constituído de cidadãos. O Brasil, que instituiu a República depois de forte conflito político com a Igreja – a chamada Questão Religiosa – não conseguiu impor essa separação de forma satisfatória no sistema oficial de ensino. É tempo que o faça. Recente decisão do Congresso – à raiz de desnecessário acordo com o Vaticano – fortalece a ideia de que o ensino religioso é importante para a formação dos cidadãos. Não é. Seria, por exemplo, se os mestres fossem autorizados a dizer aos alunos católicos como se comportou Torquemada, durante a inquisição espanhola, e os evangélicos se dedicassem a explicar como atuaram Calvino e seus seguidores. A inquisição calvinista foi, em sua área de influência, tão cruel quanto a católica. Lembre-se, também, a noite de São Bartolomeu de 1572, em Paris, com a morte em massa de protestantes – em razão da disputa pelo poder.

A ideia da transcendência do homem, pelo caminho da fé, é inseparável da história universal da espécie. Mas o laicismo dos Estados é uma conquista da razão política, que não pode ser desprezada. O ensino da religião (no fundo, uma catequese) deve ser deixado aos pais e às igrejas. Ao Estado cabe ensinar a ética. Do ponto de vista prático, é impossível atender ao vasto leque das crenças no Brasil de hoje, que vão das diversas seitas evangélicas, cada uma delas pretendendo a hegemonia sobre as outras, ao espiritismo e ao sincretismo afro-cristão. Isso, sem mencionar a crescente adesão ao budismo, ao xintoísmo, e a outras religiões orientais.

Aos próprios religiosos não interessa transformar cada escola em praça de cidadezinha do interior, onde os alto-falantes costumam expressar a ruidosa disputa entre os sacerdotes e os pastores protestantes. A infância deve ser uma estação de paz. As crianças e adolescentes vivem a fase em que a amizade nasce e vínculos afetivos se formam, em muitos casos, pela vida inteira, sem levar em consideração a confissão religiosa familiar. Temos que evitar, a todo custo, que nas escolas se semeiem conflitos religiosos, como os da Irlanda.

O mesmo raciocínio que defende o ensino religioso nas escolas teria que aceitar o ensino do ateísmo. Como a recusa de participação política é uma forma de ação, o ateísmo é também uma afirmação do transcendentalismo materialista, se a tal substantivo podemos juntar tal adjetivo. Não é por acaso que os revolucionários franceses erigiram um templo à deusa Razão, no que foram seguidos mais tarde pelos adeptos do positivismo de Comte, com a tentativa de divinizar a humanidade.

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R-71

outubro 13, 2009

Foto do Seattle Times

Vai ser votado, pelo povo aqui do estado, no próximo mês de Novembro, o Referendum 71, sobre a expansão dos direitos e obrigações civis para casais do mesmo sexo que vivem juntos (“same sex domestic partners”). No ano passado, uma proposta semelhante, a Propositon 8, foi derrotada no estado da Califórnia, bem como iniciativas similares em outros estados, mas pelo que as pesquisas indicam o estado de Washington vai ser diferente.

Aí hoje de manhã eu estava indo para o trabalho e tocou no rádio uma propaganda contra a R-71. Na propaganda, a pessoa dizia que os governantes deveriam se preocupar com coisas mais sérias, como a economia, do que garantir que casais gays “tivessem os mesmo direitos que nós pessoas casadas”. Em outras palavras, pela lógica do grupo que é contra a R-71, e que estava pagando pelo espaço publicitário no rádio, os gays não são pessoas iguais aos heterosexuais, já que não merecem os mesmos direitos e nem tem os mesmos deveres. O que é ridículo, para dizer o mínimo.

Em 1995, no estado do Alabama, uma mulher negra de 42 anos chamada Rosa Parks, se recusou a ordem do motorista do ônibus em que ela viajava para levantar do seu acento para dar lugar a uma pessoa branca. Esse gesto, mesmo que pequeno, virou um símbolo na luta pelos direitos civis nos EUA. Naquela época uma parcela considerável da população acreditava que brancos e negros eram diferentes, os primeiros melhores que os segundos, e logo não possuíam os mesmos direitos.

Cinquenta e poucos anos depois, a situação é parecida, ou melhor, é a mesma. Um grupo de pessoas se acha melhor que outro grupo de pessoas porque esse grupo não pensa como eles. A lógica é exatamente a mesma, só que no lugar da cor da pele, entra a preferência sexual. O centro da questão não é sobre o que se gosta ou nào, mas sobre se ter “direitos iguais”. Um casal gay tem o mesmo direito que um casal heteorosexual, pois todos devem ser iguais perante à lei.

Eu não voto aqui, ainda. Mas se votasse, é claro que eu ia votar para aprovar o Referendum 71.

O video abaixo mostra uma entrevista da Ellen DeGeneres, gay assumida e casada com a atriz Portia De Rossi, com o candidato republicano à presidência da república, que era contra o casamento gay. A entrevista é muito boa. Nela, Ellen enumera as razões pela quale la acredita que gays e heteros devem ter direitos iguais, já que são pessoas. McCain, por outro lado, contra-argumenta sempre com o mesmo “mantra”: “o casamento é uma instituiçào sagrada que só cabe à um homem e uma mulher”. Vale à pena assistir (em inglês).

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Rio 2016

outubro 5, 2009

Sim, é claro que eu tenho algumas opiniões sobre o fato do Rio ser escolhido para ser a sede dos Jogos Olímpicos de 2016.

A primeira delas é de que essa “conquista” (e depois eu explico porque está entre áspas) é reflexo de uma política internacional bem sucedida por parte do governo Lula. Independente do frustrante governo que ele faz em outras areas, pelo menos frustrante para quem o elejeu da primeira vez, e contrário à todos os preconceitos que se tinha à sua escolaridade e educação formal, o Lula conseguiu elevar o Brasil no cenário mundial a um país que deve ser respeitado. Um país que merece ser levado à sério. A primeira Olimpíada na America do Sul vai ser no Brasil, pois o Brasil é o único país do continente com destaque para tal.

A segunda opinião é que seria melhor para o povo brasileiro, e carioca, se o Rio NÃO fosse escolhido. Não vi as apresentações dos países e, para falar a verdade só fiquei sabendo no dia da escolha que o Rio era candidato, então não posso dizer que cidade merecia mais. Mas mercecimentos à parte, eu tenho minhas dúvidas se essa escolha vai trazer mais benefícios que danos para a cidade e para o país, daí as aspas na paralavra conquista acima.

Sumiram com as favelas... :-)

Sumiram com as favelas... :-)

Está certo que o maciço invenstimento em infra-estrutura que a cidade vai ser obrigada a passer vai acabar ajudando de alguma forma a população em geral. Quem sabe agora o metô não chega realmente na zona oeste. Mas tudo vai ser feito à toque de caixa, no escopo específico dos jogos (aonde os jogos acontecerão) e com nenhum controle de gastos (lembra que o Pan custou muito, mas muito mais do que deveria). É como dar uma mega-festa na sua casa que não comporta o porte da tal festa, gastar dinheiro que você tem e não tem na sala, onde os convidados vão estar, e quem sabe num pedacinho da cozinha, e esquecer do banheiro, dos quartos e de todo o resto da casa. Para resumir, eu acho que o Rio tem, ou deveria ter, outras prioridades.

So doi quando eu nao rio...

E a terceira opinião tem a ver com a reação, ou melhor dizendo, a comemoração da população com a escolha. Ir para a rua e fazer carnaval eu achei um pouco demais para a, olha aí as aspas de novo, a “conquista” que foi. Mas isso não é de nada surpresa, pois se tem uma coisa que o carioca e o brasileiro gostam mesmo é de um motivo para comemorar, seja ele qual for.

O importante é estar feliz, é pular, é sambar, é brincar, é esquecer, nem que seja por pouco tempo, a vida dura e perigosa que se leva na cidade e celebrar uma vitória, nem que essa vitória seja simbólica e não mude em nada a vida dele. Como diria o Martinho da Vila naquele samba lindo de morrer, “razões para a vida tão real da quarta-feira“…

E eu sei que dos meus 17 leitores, uns 15 vão cair de pau nesse post… :-)

Voce não concorda comigo? Escreve o que você acha num comentário que eu publico aqui…

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Uma outra visão

setembro 4, 2009

Eu escrevi aqui recentemente um post onde eu falava das minhas impressões sobre o Rio de Janeiro. Eu escrevi o post mas não expliquei aqui os motivos pelo qual ele foi escrito. Então, para contextualizar esse post e aquele que foi escrito antes, eu tenho que explicar uma coisa. Aqui vai: quando em visita ao Rio por três semanas, na semana retrasada, a Kelly foi mais uma vítima da extrema violência urbana da qual a cidade é vítima. Ela foi sequestrada e ficou sob a mira de um revólver por duas horas, até ser liberada pelo ladrão, que levou algum dinheiro, o celular emprestado que ela usava e mais uma ou outra coisa que tinha na bolsa. Eram 7:30 da noite e ela estava sozinha no carro da mãe dela, na região do Jardim Oceânico na Barra da Tijuca. Felizmente, tudo acabou bem e, por sua própria calma em lidar com a situação, ela saiu dessa inteira, pelo menos físicamente, já que psicologicamante é mais difícil de esquecer um susto desse.

Aquele post foi um desabafo e uma constatação e não vou repetir aqui o que disse lá. Mas nem todo mundo pensa igual e, hoje, o meu amigo e compadre Cláudio, que é primo da Kelly e padrinho da Leticia, colocou um comentário aqui no blog sob a visão dele sobre esse assunto. E eu queria compartilhar ela com o resto do pessoal do blog, já que nem todo mundo lê os comentários (ou quase ninguém lê).

Meu amigo Cláudio e eu temos visões diferentes sobre esse assunto, o que é perfeitamente ok, já que temos “lentes” diferentes de como vemos a vida. Como morador de Vila Isabel, membro da Bateria da escola de samba do seu bairro e amante das coisas boas que a cidade tem, ele oferece uma análise do Rio sob outro ponto de vista. Aqui vai:

“É Marcão, não temos como negar que a violência chegou a uma situação acima do aceitável e depois de um susto destes pelo qual passamos ficamos ainda mais abalados.

Mas, você pode até dizer que faço parte dos cariocas que “não querem enxergar a realidade” ,discordo de algumas colocações que parecem um pouco as generalizações e baseadas um parte no distanciamento , parte na justificada revolta com o que ocorreu . Ex: “… fez o Rio mergulhar numa espiral negativa que eu acho que está longe de acabar, se é que um dia vai. Seu último título, o de capital cultural do país, se deve somente ao fato da Globo ser carioca” O Rio continua sendo a capital cultural, porque sua vocação é para isso não à toa. Cultura tem relação com história ( que o digam os povos Europeus ) e do Rio é extremamente rica : berço do samba, da bossa nova, do choro… Na Mangueira o samba sempre será cultuado e sempre carregará alguma coisa de Cartola, a “Rua Nascimento Silva 107″ continuará a existir bem como o apartamento da Nara Leão onde a bossa não nasceu mas “foi amamentada” , os locais por onde Pixinguinha tocava e frequentava não vão sair de lá ( ainda que tenha que se escolher a hora para se chegar por lá ) as rodas de choro que aparecem atualmente em cada esquina têm certamente relação com este passado rico, que alimentam o presente.

O próprio inchaço populacional sem o crescimento da devida estrutura e distribuição de renda que multiplica os problemas dos quais padecemos como a violência, cria uma diversidade e troca que por outro lado é um ganho cultural e humano. Quando na praia seencontram o garoto da favela e o playboy do asfalto ( e este é um diferencial do Rio em relação à São Paulo) , em alguns momentos para o conforto, mas em outros para jogar um futebol ( os times de futebol de praia mostram esta mistura ) isso é um diferencial . Por isso , não quero cuspir para o alto, mas espero conseguir enquanto posso , à tentação de viver nos condomínios onde convive-secom o mesmos tipos de pessoa , que são os mesmos que frequentam o shopping , que são os mesmos que frequentam a escola de classe média…Diversidade é fundamental.. O crescimento da Lapa recentemente, com uma roda de samba, de choro de bossa, de rock à cada esquina sem apoio do poder público que teve que vir à reboque , mostra que este “ocaso” cultural não é verdade, pelo contrário, basta visitar sites de turismo no exterior, onde quem escreve não é um “carioca vesgo” , para ver as citações sobre o crescimento da ebulição cultural da cidade .

Outra citação seria : Copacabana, a “princesinha do mar” é há muito tempo ocupada por ladrões, putas e travestis….” aí nem precisa falar sobre a carga de generalização, mas vou além : ali tem “povo” e por mais que não seja minha praia e não goste de frequentar, tenho que dar o braço à torcer sobre crônicas de pessoas que enaltecem a vocação de Copacabana para a mistura. “As vias expressas que cortam os subúrbios da cidade são veias abertas por onde corre o sangue de cidadãos baleados sem misericórdia, em ônibus e carros de passeio. Os moradores da zona sul não visitam mais seus amigos e parentes na zona norte, por medo de transitar pela cidade. E mais recentemente, até a Barra da Tijuca, o ultimo bastião do que seria na cidade um lugar “decente” para se morar e que era destino certo da classe média alta, já está igual ao resto da cidade.” Este trecho me lembra os tempos de Universidade ( bota tempo nisso…). Eu tinha um amigo que era de Minas e noivo de uma menina que morria de medo de vir ao Rio em função de , naquela época, já ouvir falar da violência do Rio. Ele , veio também com toda esta carga de medo e após morar um tempo na cidade ria ao comentar que eles em sua cidade tinham a impressão que todos corriam para o trabalho se agachando para passar entre as balas… Logo após um dos atentados de atiradores em crianças à escola por aí, lembro que li um artigo de um Americano revoltado, falando sobre o quanto estava doente a sociedade americana com seu culto às armas, ao materialismo , etc… e sobre o seu medo em relação aos grupos com os quais sua filha convivia no colégio ,o que dava a impressão de que cada ida dos filhos ao colégio era um terror para os pais… Este texto foi usados por muitos por aqui, mas que eu logo percebia que existia ali uma generalização , se certamente servia à uma reflexão, obviamente era carregada de exageros estimulados pela revolta sobre o acontecimento.

“… É fato que o Rio não já merece mais a admiração que um dia mereceu dos outros estados da federação…” Para terminar pois já me alonguei demais…neste item os números falam sozinhos… apesar da grande divulgação sobre ocorrências de violência no Rio, inclusive pelo fato da Globo ser aqui ( o episódio da revolta das quadrilhas organizada que pararam São Paulo escancarou que em alguns itens a violência lá estava maior do que no Rio ) o Rio ainda é disparado o primeiro destino para turistas nacionais e internacionais. A cidade à cada ano fica mais cheia no verão e na época de carnaval em função do retorno dos Blocos à rua na forma democrática que o Carioca insiste em manter ( sem abadás como na Bahia ) numa espriral crescente e não descrescente.

Enfim, o Rio é infelizmente um reflexo escancarado da desigualdade social em nosso país . O episódio com minha prima e comadre que amamos tanto, nos abalou bastante, mas como seu espaço é democrático , deixo minha opinião de que , como várias grandes metrópoles pelo mundo,mão estamo nem no Paraíso nem no Inferno.

Quem sabe um dia trocamos idéia sobre isso tomando uma Buds ou Skoll. Um grande abraço, beijo para todos especialmentepara minha prima que certamente não tem noção sobre o sofrimento e angústia que passamos naqueles momentos de pesadelo. Cláudio. “

E já que eu coloquei aqui a opinião do Cláudio, vou colocar também o comentário da Ludmilla, também prima da Kelly, sobre o mesmo assunto:

“Oi Marcus,
Li o livro “Cidade Partida” há bastante tempo e lembro que a história me fascinou, muito por se tratar de uma realidade distante da minha (ainda niteroiense, freqüentadora da Região Oceânica e arredores – e só). Realmente esta distância entre as duas cidades foi ficando cada vez menor até chegar ao ponto em que estamos hoje, onde o crescimento das favelas supera e em muito o crescimento do asfalto, onde, teoricamente, deveria crescer uma sociedade civilizada com acesso à educação, saúde, etc. Infelizmente, o movimento de crescimento não foi o inverso, que pudesse gerar uma vida melhor, também, para a população dos morros…

Mas aí, entramos em “questões filosóficas”/ consumo de drogas alimentado pelas classes mais abastadas (vale a pena ver “Meu Nome Não é Johnnny”), etc. Fica para o próximo chopp.

De resto, perfeito o relato. Realmente a defesa é sempre achar que “tudo bem, já que não aconteceu nada de mais…” Mas não é assim, não está tudo bem e não podemos deturpar nossa visão sobre a violência, não podemos nos conformar. Um exemplo é o barulho de tiroteio (muito comum em alguns bairros, inclusive nobres, do Rio), não adianta falar “é longe”, “não chega aqui”, que nunca vou me acostumar com situações como esta.

(Mais um desabafo, mas não poderia deixar de postar meu comentário)

Beijos a todos”

E o comentário da Tânia, também prima da Kelly:

“É mais ou menos assim…
Aqui uma violência social…Desigualdade social,as cidades inchadas e sem controle e possibilidade de receber tamanha população e suas carências e necessidades imediatas.
E aí uma violência patológica daquelas que se cria um ser sem valores humanos ,só material e ele um dia decidi entrar numa escola,ou qq lugar público e matar aos montes sem nenhuma justificativa racional.
Sendo que a que me atinge mais é a que vivo no Rio e por isso tenho a tendência a concordar com o Marcus.Nãi sei o que fazer exatamente,mas sei que devia fazer alguma coisa além de orar ( o q já faço)para mudar o nível de violência da cidade que amo!!
Bjs!! Tania”

Quem quiser ver a sua opinião aqui também, é só escrever para cá.

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O purgatório da beleza e do caos

agosto 24, 2009

Em 1994, o cronista Zuenir Ventura escreveu um livro onde ele classificava o Rio como uma “cidade partida” (esse é o título do livro). No livro, ele conta que existe um Rio do morro e um Rio do asfalto e que essas são duas cidades completamente diferentes. Com leis completamente diferentes. O livro é ótimo, e pode ser lido online aqui.

Pois eu acho que a cada ano que passa o Rio do morro toma mais e mais conta do Rio do asfalto, numa realidade onde o Estado já não tem mais, há algum tempo, controle nenhum sobre a segurança da sua população. Se há 15 anos, a cidade era partida ao meio, hoje ela está mais para 70-30, ou 80-20. A perda do status de capital da república para Brasília, de capital financeira para SP e capital turística para o nordeste, fez o Rio mergulhar numa espiral negativa que eu acho que está longe de acabar, se é que um dia vai. Seu último título, o de capital cultural do país, se deve somente ao fato da Globo ser carioca. Se não fosse por isso, a “Hollywood brasileira” já não seria mais carioca também.

Copacabana, a “princesinha do mar” é há muito tempo ocupada por ladrões, putas e travestis. As vias expressas que cortam os subúrbios da cidade são veias abertas por onde corre o sangue de cidadãos baleados sem misericórdia, em ônibus e carros de passeio. Os moradores da zona sul não visitam mais seus amigos e parentes na zona norte, por medo de transitar pela cidade. E mais recentemente, até a Barra da Tijuca, o ultimo bastião do que seria na cidade um lugar “decente” para se morar e que era destino certo da classe média alta, já está igual ao resto da cidade.

É fato que o Rio não já merece mais a admiração que um dia mereceu dos outros estados da federação. E ao carioca, que vive com a vida por um fio, não cabe outra alternativa a não ser dar de ombros a tudo isso, fingindo que não é tão sério assim, achando isso tudo meio normal até, situação comum de uma grande cidade. É um mecanismo de defesa, para que ele não perca a própria sanidade, já que viver trancado em casa é impossível. É a tática do rir para não chorar. E você há de convir que o sol, a praia, o chope, o sambinha e a mulherada são a distração perfeita para essa alienaçào conveniente.

Como disse o Millôr, afinal de contas “só doi quando ele não ri, quando ele não joga no bicho, quando ele não vai ao Maracanã, quando ele não samba. Só doi quando ele se esquece de toda essa folclorada e enfrenta a dura realidade… carioca“.

A Kelly e as crianças voltam amanhã, graças a Deus. E eu não vejo a hora de abraçá-los de novo.

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Medo

agosto 21, 2009

Cidade Maravilhosa é o CARALHO…

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Entre a alienação e a politização rasa

julho 22, 2009

alienado

Desde de quando a gente resolveu criar o blog, e isso já vão para mais de três anos, um dos meus objetivos era manter os assuntos do blog o mais alienados possíveis em relação à política, principalmente a política brasileira, já que dela não dá para falar bem e, segunda a patroa lá em casa, falar mal do Brasil morando fora não é muito “educado”. Nem sempre isso foi possível, mas se você for contar, o número de posts sobre esses assuntos é bem menor do que os outros.

Além do fator “geográfico”, o motivo principal mesmo é minha postura pessoal em relação à polítca (em geral), desde que o Lula foi eleito para o seu primeiro mandato em 2002. A desilusão com um governo que deveria ser do povo mais não foi, ou não é, junto com o que, acredito eu, seja um certo amadurecimento (bem que eles diziam para não confiar em ninguém com mais de 30 anos), me fez perder o interesse que eu tive pela política durante muitos anos.

Por que falar disso agora? Sei lá, mas acho que de vez em quando falar sério também é importante. Mas também é porque, mesmo não tendo mais acesso à TV brasileira e nem mais o hábito deler os jornais brasileiros na Internet, mesmo assim volta e meia a gente fica sabendo das notícias da terrinha. E recentemente veio ao meu conhecimento o “escândalo da vez” no Brasil, envolvendo o Sarney e uns sérios casos de nepotismo (quem diria que o Sarney era corrupto, hein? Que surpresa…). E aí vem de novo aquela vontade da gente (minha, vai) de dar a nossa opinião sobre o assunto. Então lá vai…

Eu acho que no Brasil (falo do Brasil porque eu conheço, com certeza isso acontece em outras partes do mundo) existem majoritáriamente dois grupos de cidadãos. Exceções existem, é claro, mas a maioria dos 200 milhões de brasileiros se encontram em um desses dois grupos:

O primeiro grupo , o do analfabeto politico (usando o termo cunhado por Bertold Bretch): esses são aqueles que acham que “politico é tudo igual” e se conformam com os Sarneys, os Collors, os Renans e por aí vai. Para esse grupo, ser politico e ser usurpador do erário público são sinônimos. É a ordem natural das coisas e nada pode ser feito à respeito. Eles não “entendem de política”, não gostam de política e tem raiva de quem fala de política. Esse grupo é grande, enorme,está espalhado em todas as classes sociais e, na grande maioria das vezes, é aquele que não lembra em quem votou na última eleição, seja ela qual for. Para esses, o exercício do voto é só um dever,um fardo, e não um direito, um instrumento de mudança. Esse grupo nunca vai para a rua, ou para os jornais, para reclamar de nada, porque para eles, não adianta reclamar. Alias, para eles, bobo é o politico que não rouba.

O Segundo grupo é o dos “jovens revolucionários”, aqueles com toda a energia para mudar o mundo, mas cujas idéias e ideologias ainda tem a profundidade de um bidê. A maioria dos jovens passa por esse grupo em alguma parte da sua vida. Eu sei que eu passei. É aquela fase do lutar “contra tudo isso que está aí”, mas sem nem saber o que esse tudo isso é. É reclamar de tudo e de todos, sem saber exatamente por que e como. Não me entenda mal, eu não esotu sendo preconceituoso com idades, tem gente já cinquentona que ainda pretence a esse grupo. Tem um partido de duas letras, que começa com P e termina com T, que está cheio deles. Tem gente até que nunca sai dela, pois ela é bonita, romântica até. Afinal de contas, dizer que se é “de esquerda” é bem maneiro. E tem muito politico que faz discurso para essa galera. Só para essa galera.

Aí, os que sobram, com boas intenções, boas idéias e discursos consistentes, são muito poucos para fazer alguma diferença.

E por causa disso, eu chegeui à conclusão de que “tudo isso que está aí” não vai mudar, seja pela indiferença de uns, seja pela rebeldia sem causa de outros. O que fazer então? Não sei, se soubesse eu contava. Eu escolhi então ignorar tudo isso, como disse antes aqui, minha musiquinha (adaptada) é: “Eu sou alienado, com muito orgulho, com muito amor…”

O Brasil tem jeito? Talvez tenha. Está perto de chegar esse dia? Acho pouquíssimo provável.

Aí vem alguém e fala que nos EUA também é assim, que o Bush levou a eleição sem ganhar, e tal e coisa. E é tudo verdade. E se um dia eu for americano naturalizado e filiado ao Partido Democrata, é disso que eu vou falar. Enquanto isso não acontece, falo como cidadão brasileiro, ex-politizado, ex-engajado (ou seria enganado?) e ex-PTista (de carteitinha, filiado e tudo).

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Contradição

julho 8, 2009

A Rachel, lá do Rio Gringa, escreveu um post que na minha opinião é sensacional. Para quem ainda não teve a chance de visitá-la, ela é uma jovem americana, moradora de NY, mas que até recentemente morava no Rio com o seu marido, que é brasileiro.

Nesse post, a Rachel escreve (em português) sobre como ela se sente brasileira, após ter vivido alguns anos no país. E ela explica o que, para ela, é ser brasileiro. E para uma pessoa que não é brasileira nata, para mim ela acertou na mosca. Eu, brasileiro nato, me sinto exatamente como a Rachel em pelo menos 90% das colocações dela, numa salada mista de sentimentos: amor (pela pátria), orgulho, vergonha, indignação e desilusão.

Segue um pedacinho do post, para você ver do que eu estou falando:

“Ser brasileira é ter uma linha muito fina entre o amor e o ódio pela pátria, sentir o puxão entre o patriotismo cego e a desilusão total. Ser brasileira é negar os males enquanto reclama deles. Ser brasileira é colocar mais fé no futebol do que na política. Ser brasileira é ficar em cima do muro enquanto se joga pedras. Ser brasileira é sempre ser e ter filha, tia, prima, sobrinha, mãe. Ser brasileira é amar sem fim, ainda se doer. Ser brasileira é nunca estar sozinha.
(…)
Ser brasileira é rir para não chorar. Ser brasileira é suprimir à vergonha para fortalecer o orgulho. Ser brasileira é ter felicidade na superficie para esmagar a tristeza, empurrar ela mais para dentro e tentar esquecer dela.”

Para ler tudo, clique aqui.

Ser brasileiro é muito bom, mas como diria o Tom Jobim, não é para principiantes…

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Senna

maio 1, 2009

Hoje fazem 15 anos que a curva Tamburello levou a melhor sobre o melhor piloto que já existiu: Ayrton Senna.

Eu tive o prazer de ler um ótima biografia dele, essa aqui, que eu recomendo muito. Senna é O meu ídolo, o meu maior ídolo, não só porque ele foi o melhor piloto da história, mas porque ele era um exemplo a ser seguido em muitas dimensões da Vida. Senna era um exemplo de profissional, um exemplo de obstinação, um exemplo de coragem, um exemplo de garra, um exemplo de disciplina e por aí vai. Como o autor de sua biografia fala, Senna era um gênio dentro E for a das pistas. E eu chorei feito criança há 15 anos atrás (porra, eu esotu chorando agora, escrevendo isso aqui e vendo esses videos).

Eu tenho na minha sala esse quadro aí embaixo pendurado na parede. Ele serve para eu me espelhar, para eu me lembrar do profissional que eu quero ser um dia. Senna é a minha inspiração.

senna

Sabe por que hoje não tem mais graça ver Fórmula 1? Porque NUNCA MAIS a gente vai ver isso aqui:

Ou isso aqui:

Como a Tina Turner canta no primeiro video, Senna era SIMPLESMENTE O MELHOR.

“Meu maior erro? É o que eu ainda vou cometer.”
– Ayrton Senna

“Chegar em Segundo é ser o primeiro entre os que perderam”
– Ayrton Senna

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Lula bem na foto

abril 6, 2009
G20/

Clique na imagem

Recebi essa foto de uma prima minha que (ainda) é PTista.

Mas independente de como se vê os dois governos do Lula, seja como um governo que realmente mudou o Brasil ou, como eu vejo, como um governo que foi apenas mais do mesmo, uma coisa é inegável: Lula conseguiu colocar o Brasil numa posição de destaque internacional como nenhum outro presidente conseguiu. E a foto reflete isso. Os comentários do Obama, “Esse é o cara”, também.

Seja ele popular ou populista, e apesar do fato de vez ou outra falar uma merda (como quando ele sugere que a culpa da crise financeira são dos brancos de olhos azuis – o que ele não sabia era que o CEO da Merryll Lynch, por exemplo, é negro), Lula ainda consegue, sete anos depois, inspirar o respeito e a confiança da uma grande parcela da população, maior inclusive do que a que o elegeu. E isso é coisa que só os grandes líderes são capazes.

Como dizia o slogan da primeira campanha dele, quando ele ainda era “do povo”, é Lula lá, lá no meio dos principais líderes mundiais. E com todo o direito.

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Anônimo não

abril 4, 2009

O meu texto lá no RioGringa rendeu alguns comentários mais “acalorados”, tanto lá quanto aqui. Eu queria dizer que a gente aceita aqui no blog todas as opiniões, sejam as que batem com a nossa, sejam as que não. A gente não só aceita, como gosta do debate.

Mas para o seu comentário aparecer aqui no blog, ele tem que respeitar duas regras:
1. Você tem que se identificar, deixando seu nome e seu email.
2. O seu comentário não pode se ofensivo a ninguém, seja a gente ou outra pessoa. Ou seja, chamar a gente de burro, otário, mandar calar a boca, essas coisas, não rolam aqui.

Desde já, obrigado pelos seus comentários.

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Almost 50

março 27, 2009

“Ouçam o que eu digo, nunca ouçam ninguém”

49 hoje, se ainda estivesse por aqui. “Ídolo” é uma palavra muito forte, pode passar impressão de uma admiração doentia, meio religiosa, mas por falta de outra melhor, eu posso dizer que tenho (tive) poucos ídolos, e ele com certeza é um deles.

O Renato Russo (e a Legião Urbana), com suas músicas e suas idéias, marcarm uma geração inteira. A minha geração. E, para mim, não teve igual no rock brasileiro (não me cometa o sacrilégio de comparar o Cazuza com o Renato Russo, por favor!).

“Não tenha medo
Não preste atenção
Não dê conselhos
Não peça permissão.
É só você quem deve decidir o que fazer
Pra tentar ser feliz”
Teorema – Renato Russo.

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